quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Ninguem Sabe Onde a Felicidade está!




Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar

Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar

Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Especial SulPampa Rod Stewart, rouco de felicidade.



Bem Aventurado os mansos e humildes de coração.
Feliz Natal e próspero ano novo em 2016!






Vida

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial
(e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!
Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.

Augusto Branco


Criação Visual: João Batista da Silva

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Rock SulPampa 2015

Imagem


Tempo Perdido

 Compositor: Renato Russo

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério, e selvagem
Selvagem, selvagem

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos

Então me abraça forte
E me diz mais uma vez que já estamos 
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas agora
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu

Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens, tão jovens




domingo, 15 de fevereiro de 2015

Primeiros erros de todos nós


Primeiros Erros

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde vou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão

Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende

Se o meu corpo virasse sol
Minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove (2x)

Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Compositor: Kiko Zambianchi








terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ouro de tolo,é esta cambada de deputados do cunha!!!


Ouro de Tolo



Eu devia estar contente 
Porque eu tenho um emprego 
Sou um dito cidadão respeitável 
E ganho quatro mil cruzeiros por mês 



Eu devia agradecer ao Senhor 

Por ter tido sucesso na vida como artista 
Eu devia estar feliz 
Porque consegui comprar um Corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito 
Por morar em Ipanema 
Depois de ter passado fome por dois anos 
Aqui na Cidade Maravilhosa 

Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso 
Por ter finalmente vencido na vida 
Mas eu acho isso uma grande piada 
E um tanto quanto perigosa 

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis 
Mas confesso abestalhado 
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir 
E agora eu me pergunto: E daí? 
Eu tenho uma porção de coisas grandes 
Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado 

Eu devia estar feliz pelo Senhor 
Ter me concedido o domingo 
Pra ir com a família ao Jardim Zoológico 
Dar pipoca aos macacos 

Ah! Mas que sujeito chato sou eu 
Que não acha nada engraçado 
Macaco praia, carro, jornal, tobogã 
Eu acho tudo isso um saco 

É você olhar no espelho 
Se sentir um grandessíssimo idiota 
Saber que é humano, ridículo, limitado 
Que só usa dez por cento de sua 
Cabeça animal 
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial 
Que está contribuindo com sua parte 
Para nosso belo quadro social 

Eu que não me sento 
No trono de um apartamento 
Com a boca escancarada cheia de dentes 
Esperando a morte chegar 

Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais 
No cume calmo do meu olho que vê 
Assenta a sombra sonora de um disco voador 

Eu que não me sento 
No trono de um apartamento 
Com a boca escancarada cheia de dentes 
Esperando a morte chegar 

Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais 
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Tributo ao Grande Tim Maia

sábado, 1 de novembro de 2014

Sol De Primavera Em Todos Os Nossos Corações


Sol de Primavera

Compositor: Beto Guedes e Ronaldo Bastos

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Aqui em casa todo mundo é 13






Orgulho de Ser Nordestino

               

Além da seca ferrenha

Do chão batido e da brenha

O meu nordeste tem brio

Quer conhecer então venha
Que eu vou te mostrar a senha
Do coração do Brasil
São nove estados na raia
Todos com banho de praia
Num céu de anil e calor
São nove estados unidos
Crescentes fortalecidos
Onde o Brasil começou
E hoje no calcanhar da ciência
Formam uma grande potência
Irrigando o chão que secou
É verdade que a seca inda deixa sequela
Mas foi aprendendo com ela
Que o nosso nordeste ganhou
Deixou de viver de uma vez de esmola
E foi descobrindo na escola
A grandeza do nosso valor

Eu quero é cantar o nordeste

Que é grande e que cresce

E você não conhece doutor

De um povo guerreiro, festivo e ordeiro
De um povo tão trabalhador
Por isso não pise, viaje e pesquise
Conheça de perto esse chão
Só pra ver que o nordeste
Agora é quem veste
É quem veste de orgulho a nação

domingo, 24 de agosto de 2014

Getúlio Vargas, sua era é a nossa herança



Falar deste cidadão tão especial para a nação, é muito gratificante, ainda mas o maior presidente da historia do Brasil, falar no grande presidente Getulio Vargas é também angustiante para as pessoas que viviam e vivem até hoje, sugando o erário publico, e virando as costas Para a parte mais importante de quem passa pela terra, o amor infinito ao seu povo e a esperança de um pais promissor.

Getúlio Vargas é esta lenda que a Cidade de São Borja, no sul dos Pampas , que deu o seu filho mais ilustre para conduzir o pais e o estado do Rio Grande do Sul , a sua mais nobre perola até mesmo lhe custando o sacrifício da vida, muita gente não sabe das proezas também em favor de Getulio Vargas, que foram o seu ministro do trabalho João Goulart, e o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

A história conta que seguidores de Getúlio, foram na base aérea de canoas, esvaziando os pneus dos caças que estavam pronto pra explodir o palácio Piratini em 1932, mas os pilotos não decolaram .

Brizola que estava cheio de tanta intromissão dos militares e do estado de São Paulo no governo federal, militares que planejavam aplicar um golpe militar contra Getulio Vargas, com muita inteligência Brizola acampou a radio Guaíba de Porto Alegre por ato governamental, e não deixou os militares levassem os transmissores da radio, isto foi o bastante para segurar a barra, e deixar o Brasil sabendo das noticias na hora exata.

Eu também sou jovem, pouco posso saber das atitudes de Getulio Vargas, mais sei do seu legado, a conquista da CLT (consolidação das leis trabalhistas),o FGTS onde você compra o seu imóvel, entre outras o 13º salário, são leis que foram mantidas até hoje, apesar das pressões do empresariado, todos os presidentes do Brasil após Getulio Vargas tem este mérito, por não mudarem as leis.

Sua maior conquista foi ”o petróleo é nosso”, onde as potências, na época americanas, queriam mandar no nosso rico subsolo brasileiro cheio de riquezas, Getulio Vargas não aceitou e criou e fortaleceu a Petrobras, que hoje é a maior empresa do Brasil e do mundo no ramo de perspecsão de petróleo, o orgulho do Brasil.

Na segunda guerra mundial, Getúlio Vargas barganhou com o presidente norte americano, Franklin Roosevelt, em troca de apoio aos aliados, e também exigiu tecnologia em siderurgia para fabricação de aço, o Brasil na época não fabricava e não sabia como fazer o manganês e o ferro bruto, a muito custo, os americanos vieram ao Brasil e se comprometeram a fazer apenas uma siderúrgica em troca do apoio, e o EUA se comprometia em comprar os produtos siderúrgicos já manufaturados do Brasil, o que causou uma revolta muito grande das empresas americanas na época, pois não queriam concorrentes, assim se criou a CSN (Cia Siderúrgica Nacional), logo após outra gigante que funciona até hoje a Cia Vale do Rio Doce, pena que em 6 de Maio 1997, FHC privatizou a mesma, com a desculpa de que ela dava prejuízo, e hoje é uma das maiores do mundo.

Cada vez mais se confirma a carta de Getulio Vargas aos Brasileiros, num trecho que diz assim”tornei-me perigoso aos poderosos, as castas dos privilegiados, velho e cansado preferi ir acertar as contas com o senhor, não dos crimes que não cometi, mas dos poderosos contra os interesses nacionais, ora porque exploram os Pobres e os Humildes, só Deus sabe das minhas amarguras o sofrimento e o sangue deste inocente, servira para aplacar a ira dos ferozes, Saio da vida para entrar na história”.

Getúlio foi perseguido implacavelmente pelo jornalista Carlos Lacerda que usava o jornal tribuna de imprensa para denegrir a imagem de Getulio Vargas, e Gétulio como resposta deixou de herança duas lendas da Política Nacional, o seu ex ministro do trabalho João Goulart e o Presidente da Republica Juscelino Kubitschek de Oliveira que lhe sucedeu, considerado o segundo melhor Presidente.

Hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a honra de ser o terceiro presidente mais querido dos brasileiros em toda a sua historia, onde a própria historia ainda vai dizer se vai ser o mais popular, são por estas atitudes e um olhar pragmático do futuro de um Brasil melhor para todos, sem distinção de classes, prospero e dinâmico e rumo a uma grande potência, que faz deste filho brilhante de São Borja um dos maiores exemplos de vida que uma nação possa ter. !.
 
Autor: João Batista da Silva



Tião Carreiro e Pardinho - Preto e o Granfino

sábado, 15 de março de 2014

15 de março: 20 anos do dia em que Brizola venceu a Globo



O milagre em que nem a gente acreditava.
Fernando Brito, via Tijolaço
Hoje [15/3], se completam 20 anos do dia em que Cid Moreira, com seu ar afetado e seus cabelos brancos (nem os muito velhos se lembram dele de cabelos pretos), começou a ler o histórico direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional.
Foi a penúltima vitória do guri que saiu de Carazinho para enfrentar o mundo, um quixote gaúcho, do tempo em que os gaúchos eram quixotes e provocavam os versos geniais do pernambucano Ascenso Ferreira:
Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!
Durante 22, 23 anos, convivi com ele, 19 dos quais diariamente. Praticamente formei, com ele, minha vida adulta, pois era um garoto de 22 anos quando esse contato começou, numa reunião num apartamento na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcellos, subúrbio da Zona Norte carioca.
Deste convívio, de muita coisa mantenho reserva. Sei que estava ao lado de um mito – e via o mito nos raros instantes em que ele conseguia se despir do personagem que poucos minutos lhe deixava viver de outra maneira.
Mas chega a hora em que estes detalhes, que antes serviriam para a intriga e o desmerecimento político, só fazem enriquecer a trajetória de quem era, como ele próprio dizia, “o rei do improviso”.
Porque era assim: se tinha visão estratégica, Brizola não era um calculista, muito menos frio. As coisas iam acontecendo e ele, certo ou errado, farejava os caminhos, alguns exatos, outros não, mas todos coerentes.
O impacto daquele texto – minto, não do texto, mas de Brizola obrigar a Globo a ler uma mensagem sua – também não teve nada de planejado, mas resultou do inconformismo que ele, com seu exemplo, injetou em alguns de seus companheiros.
Um pouco antes de sua segunda eleição, Brizola passou a ser atacado, sistematicamente, com artigos em O Globo, escritos – ou apenas assinados – por um certo Alcides Fonseca, um ex-deputado estadual eleito do nada pelo PDT e que se bandeou para a oposição a Brizola e, daí, para a poeira da história.
Por orientação do querido amigo Nilo Batista, Brizola passou a pedir, um por um, direito de resposta em O Globo. E, ao pedir, tinha-se já de oferecer o texto, e a tarefa me cabia, porque os anos e anos escrevendo com ele os “tijolaços” me fizeram absorver um pouco do estilo e da alma inconfundíveis.
Doutor Nilo começou a vencer as causas, alguns artigos foram publicados e o “Fonsequinha”, como era chamado, foi despachado do jornal.
Já no governo, em 1992, Brizola dá uma entrevista, dizendo que por toda a sabotagem que a Globo fizera à Passarela do Samba, o prefeito da cidade, Marcello Alencar, deveria negar à emissora a exclusividade da transmissão do Carnaval.
Foi o que bastou para que o jornal O Globo publicasse um editorial violentíssimo contra Brizola – o título era “Para entender a fúria de Brizola” – acusando-o de senilidade – “declínio da saúde mental” – e por suas relações – sempre institucionais – com o presidente da República, Fernando Collor.
À noite, o Jornal Nacional reproduziu, na voz de Moreira, o texto insultuoso. Naquela noite, Brizola conversou com dois advogados: Arthur Lavigne e Carlos Roberto Siqueira Castro, seu chefe da Casa Civil no governo estadual.
No dia seguinte, Siqueira me chamou e disse que Brizola tinha me encarregado de fazer o texto de resposta, que teria de ser apresentado ainda naquela tarde. Falei com ele, que se mostrou completamente cético em relação ao resultado do pedido judicial e, como fazia quando se sentia assim, despachava o auxiliar: “Olha, Brito, você fala com o doutor Siqueira e façam como acharem melhor.”
Lá fui eu fazer o texto: tinha de ter três minutos, não podia ter “compensação de injúria” – isto é, devolver na mesma moeda os impropérios – e tinha de sair rápido, porque era uma sexta-feira (7 de fevereiro) e havia prazo judicial.
Chamei dois companheiros de velha cepa, que me auxiliavam na Assessoria de Comunicação do Governo, o Luiz Augusto Erthal e o Ápio Gomes, para cumprir um dupla função: anotar o que eu ditava e “segurar” a minha “viagem”.
Porque – começo aqui as difíceis confissões, que não são um segredo porque uma boa meia-dúzia de companheiros sabem disso – quando eu tinha de escrever pelo Brizola, eu não escrevia, “incorporava”. Parece coisa de doido? Não, e ele próprio sempre dizia: o bem escrito é o bem falado. E, na hora destes textos carregados, era assim que eu fazia, ditando, falando no ritmo dele, com o milhar de vírgulas e os períodos longos com que se expressava.
Era um exercício extenuante, massacrante, do qual não raro eu saía às lágrimas, mal conseguindo falar, de tão embargada a voz.
Qualquer redator publicitário jogaria fora o que saía disto, e com razão. Porque não era um texto jornalístico ou publicitário.
Era o Brizola, não eu.
Feito o primeiro texto, mandamos ao doutor Siqueira que fez algumas correções de bom-senso e um veto.
Eu não podia devolver o “senil” com que Marinho brindara Brizola. Mas isso eu tinha de devolver, ah, tinha. E aí saiu uma obra de engenharia redacional.
“Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si.”
Na verdade, eu tinha escrito “encanecidos”, mas o bom-senso do Erthal me travou: “Pô, Brito, ninguém mais sabe o que é encanecido. É verdade, mas é o que o velho teria dito.”
Bem, o texto foi para o tribunal sem que Brizola lesse o que ele estava “dizendo” na resposta. Foram dois anos e um mês de espera pela Justiça.
Brizola levantava a sobrancelha, cético, quando Lavigne e Siqueira Castro, teimosos e dedicados, diziam que íamos ganhar.
Passou tanto tempo que, dos 70, Brizola já tinha 72 anos e Marinho, 88. No final do dia 9 de março chega a notícia da vitória no Superior Tribunal de Justiça, mas ainda havia um recurso possível e um “notificaram a Globo ou não notificaram?”. O ceticismo, confesso, era maior que a ansiedade.
No próprio dia 15, terça da semana seguinte, quando o texto foi ao ar, não críamos – nem eu, nem Brizola – que aquilo iria acontecer. Tanto que nem montamos esquema algum para gravar o Jornal Nacional, senão o de um videocassete doméstico. E foi o que se viu e que ficou na história.
Termina o texto, toca o telefone: “Olha, Brito, que maravilha. Nós acertamos o tiro no cu de um mosquito.” E assim foi. Não fiquei aborrecido, ao contrário. Porque era nós, mesmo: era o Brizola introjetado em mim que escrevera.
Elogio mesmo – e maior não poderia haver – foi o de Roberto Marinho,falando ao querido amigo Neri Victor Eich, da Folha, por telefone, no mesmo dia do terremoto: “Que nunca mais se reproduza isso. O direito de resposta teve o tom de Brizola.”
Teve sim.
E é essa é a última e inapagável vitória de Brizola, em vida e em memória, despertar muitas consciências que não se acovardam, não se ajoelham e não gaguejam, como a dele, a minha e a sua.
Até hoje, a não ser pelos testemunhos dos personagens desta história, a ninguém tinha revelado estes detalhes. Faço-o agora, porque já são história e porque só aumentam o tamanho de um homem a quem eu devo grande parte do que sou.
Um homem que era tão grande que estar à sua sombra foi também – e é para sempre – estar sob sua luz.


Assista ao direito de resposta.